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7@rte

& outras artes

Rique Yon

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12월 18일

7@rte em DVD

 

Música tocando: Here there and everyhere – Lennon&McCartney - Trio Rococó

 

Desde que Otar partiu (Depuis qu'Otar est parti...)

Angustiantemente comovente!

 

Quando achamos que pouco restava em criação dramática ao cinema eis que aparece este belíssimo filme desnudando o universo feminino através de três gerações de mulheres; avó, mãe e filha, compartilham um pequeno apartamento em Tbilisi, capital da Geórgia, pós União Soviética.

Eka (Esther Gorintin) vive praticamente para receber cartas e esparsos telefonemas de seu filho Otar, médico que foi tentar a sorte em Paris, mas só consegue trabalho na construção civil. Sua filha Marina (Nino Khomasuridze) sente-se menosprezada pela atenção única de Eka para Otar e a neta Ada (Dinara Drukarova) vive nesse clima opressor e sem perspectiva de uma vida melhor. Interessante que a diretora Julie Bertuccelli (seu primeiro longa) consegue dentro do roteiro, criar um personagem inexistente, alvo central da trama. Uma notícia inesperada sobre Otar muda todo o comportamento das três mulheres.

A interpretação de Esther Gorintin como Eka, é fantástica e mais ainda por ter começado sua carreira artística aos 85 anos de idade! A força do seu olhar e expressões transmite ao espectador toda carga emocional vivida pelo personagem. Sua determinação ao empreender uma viagem à Paris para rever seu filho é crucial ao desfecho do filme.  Sua filha Marina e a neta Ada completam o trio principal de atores e também estão excelentes em seus papéis. Principalmente a jovem atriz Dinara Drukarova.

Com um final interessante e até surpreendente, “Desde que Otar partiu”, por ser angustiantemente comovente, belo esteticamente, emocionará as pessoas sensíveis.

Um filme marcante, atraente, bem dirigido com roteiro e diálogos à altura das atrizes que embora desconhecidas, criaram uma imensa empatia junto ao público.

Fugindo da mesmice “hollyudiana”, “Desde que Otar partiu” nos faz crer que: Cinema ainda é uma grande diversão!

Assistam também: Casa de Areia (Interpretações impagáveis das Fernandas: Montenegro e Torres) e O outro lado da rua. Para quem pensa que o cinema brasileiro está calcado no tripé: favela, travesti e pivete, assistam!

Yon Rique

10월 27일

7@rte em DVD

CINEMA PARADISO

Uma canção de amor ao cinema!

Cinema Paradiso (1988), obra prima de Giuseppe Tornatore já faz parte do seleto rol dos “clássicos” do cinema. Estreando em seu País de origem por duas vezes, foi um verdadeiro fracasso, mas com esta versão reduzida e definitiva, ganhou o prêmio especial do júri no Festival de Cannes e o Oscar como melhor filme estrangeiro. Cinema Paradiso, como bem disse Rubens Ewald Filho, é uma declaração de amor ao cinema! Um marco do “Novo Cinema Italiano”.                                  Trilha musical a cargo de Ennio Morricone, fotografia esmerada e atores de primeira grandeza fizeram com que esse filme ficasse e vai ficar marcado na lembrança dos amantes da sétima arte. Seu final é antológico! Não há como não se emocionar ao ver o presente que o velho projecionista deixa para seu amigo e pupilo. Para quem já viu, reveja. Quem ainda não o assistiu, é “dever de casa” obrigatório.  Aos cinéfilos que se prezam, deve fazer parte dos chamados “filmes de cabeceira”.                                                                                                                                                                                Sobre Giuseppe Tornatore:

“Giuseppe Tornatore é daqueles diretores de um filme só. Depois do sucesso avassalador de "Cinema Paradiso", que ganhou o Oscar de Filme Estrangeiro em 1990, o que se seguiu nunca chegou à altura deste hino de amor ao cinema. ”... (Crítica sobre o filme “Malena”).

 É assim que parte dos críticos de cinema “vêem” este diretor competente. Aponte-me algum diretor (sem contar com Chaplin, Hitchcock, Bergman e mais alguns) que consegue manter a quase genialidade em suas produções. Críticas desse tipo são no mínimo levianas!  Malena é um belo filme sim! O que incomoda a muita gente é quando "mexem" no universo social hipócrita dos seres humanos. Vale a pena assistir.

Do mesmo diretor: “O Homem das Estrelas" e "A Lenda do Pianista do Mar". Assistam e me digam se Giuseppe Tornatore é diretor de um filme só...

Yon Rique

 

Ficha técnica

Título: Cinema Paradiso

Título Original: Nuovo Cinema Paradiso

França/Itália

Direção: Giuseppe Tornatore

Elenco: Philippe Noiret, Jacques Perrin, Antonella Attiu, Enzo Cannavale, Isa Danieli, Leo Gullota, Marco Leonardi, Pupella Maggio, Leopoldo Trieste, Salvatore Cascio

Ano de Produção: 1989 – 121 minutos

Música tocando: "Io che amo solo te" Ornella Vanoni

 

10월 26일

7@rte em DVD

Caché

O passado sempre está presente...

Michael Haneke (Professora de Piano com a excelente Isabelle Huppert, um mergulho no obscuro universo psicológico humano) volta às telas com o instigante “Caché”. Grande parte da crítica e opinião do público em geral é favorável ao filme, fazendo severas restrições ao seu final. Justamente no final é que está o “pulo do gato”, a “carta escondida na manga”! 

O terror psicológico imposto à Georges (Daniel Auteuil) e sua esposa Anne (Juliette Binoche, A liberdade é azul, A viúva de Saint Pierre, Alice & Martin entre tantos outros grandes filmes desta bela e talentosa atriz) transformam a vida do casal ao receberem uma fita de vídeo com imagens da sua casa. Depois, recebem desenhos sinistros. Diante da invasão de sua privacidade, cuja tranqüilidade familiar está ameaçada procuram à polícia que nada pode fazer sem provas concretas. Vem à tona o passado de Georges mostrando que quem os persegue, conhece muito mais do que ele poderia imaginar. Isso causa uma terrível reviravolta na pacata e segura vida do casal.

A direção segura de Haneke e atuações magníficas dos atores, principalmente de Binoche, faz com que o espectador fique preso ao desenrolar da trama. Fugindo ao lugar comum, o final surpreende pela lógica crua e nua. A vida continua...

Yon Rique

Site oficial: www.sonyclassics.com/cache


Ficha Técnica
Título Original: Caché
Gênero: Drama – 117 minutos
França / Áustria / Alemanha / Itália - 2005
Site Oficial: www.sonyclassics.com/cache
Distribuição: Sony Pictures Classics / California Filmes
Direção: Michael Haneke
Roteiro: Michael Haneke
Produção: Veit Heiduschka
Fotografia: Christian Berger

Elenco
Juliette Binoche (Anne Laurent)
Daniel Auteuil (Georges Laurent)
Maurice Bénichou (Majid)
Annie Girardot (Mãe de Georges)
Lester Makedonsky (Pierrot Laurent)
Bernard Le Coq (Redator)
Walid Afkir (Filho de Majid)
Daniel Duval (Pierre)
Nathalie Richard (Mathilde)
Denis Podalydès (Yvon)
Aïssa Maïga (Chantal)
Caroline Baehr (Mãe de François)
Christian Benedetti (Pai de Georges)

Música: La vie en rose - Patricia Kaas

10월 25일

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10월 11일

7@rte em DVD

Os Sonhadores

(The Dreamers)

Proibido proibir

Proibido proibir... Com essa música, Caetano Veloso levou sua primeira grande vaia durante o Terceiro Festival Internacional da Canção, em 1968. Sem poder interpretar sua música, o Cantor compositor descarregou sua raiva com um discurso verborrágico em cima da platéia ensandecida: “Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder?” “É a mesma juventude que vai sempre, matar amanhã, o velhote inimigo que morreu ontem!” “... Se vocês em política forem como são em estética, estamos feitos...” “... vocês não estão entendendo nada... Hoje não tem Fernando Pessoa...” Good times!

Década de 60, anos prolíferos em manifestações, criações culturais! Sob a barbicha do Tio Sam, cantamos “Pra não dizer que falei de flores”, ”Apesar de você...” (proibidas pela vergonhosa censura militar) nos botequins, nas escolas, nos diretórios acadêmicos, cantávamos! Líamos na calada da noite, tudo que era publicado livremente nos Países democráticos. Inclusive nos Estados Unidos, patrões dos nossos ditadores. Líamos Ignácio de Loyola, Henfil, Tolstoi, tantos outros, em páginas e páginas de pensamentos livres que passávamos uns aos outros às vezes em cópias tiradas nos velhos mimeógrafos a álcool. Vem-me uma frase do grande poeta e jornalista Antonio Maria quando teve seus dedos quebrados por outra ditadura: Vargas: “Os idiotas! Eles pensam que os jornalistas escrevem com as mãos...” Tempos difíceis...

Essa extensa introdução, apesar de verborrágica também, foi para dizer que “Os sonhadores” estão em todos os lugares vivendo os mesmos sonhos utópicos e lutando pelos mesmos ideais.

Em plena efervescência devido à demissão pelo governo francês de Henri Langlois, diretor e fundador da Cinémathèque de Paris, dona de um acervo de quase 50 mil filmes salvos dos nazistas durante a segunda guerra mundial, manifestantes protestavam e entre as palavras de ordem, estavam “Proibido proibir...”.

Nesse caos é que Bertolucci mostrando todo seu amor por Paris e pelo cinema, narra sua história. Um jovem americano vai à Paris estudar francês e conhece os gêmeos Isabelle (Eva Green) e Theo (Louis Garrel) estudante de cinema e manifestante radical. Entre cenas mais ousadas de sexo, brincadeiras, perguntas sobre cinema, cenas de outros filmes expostas no filme, os diálogos são coerentes e às vezes desconcertantes quando Theo diz que os jovens chineses aos milhares marchavam ostentando o livro vermelho de Mao, Mathew (Michael Pitt) argumenta dizendo: Sim, eles marchavam com UM livro...

 Com trilha sonora que vai de Bob Dylan, Janis Joplim entre outros, Bertolucci encerra o filme de maneira soberba! Ao som de Edith Piaf em uma música dizendo: “Que não se lamenta, não se arrepende de nada...” e os policiais correndo como um estouro de uma manada, atrás dos manifestantes que como armas tinham apenas o efêmero sonho de uma revolução cultural.

Adendo: Nos Estados Unidos a censura só liberou o filme para NC-17, isso quer dizer que, lá nem acompanhado pelos pais! E se você, maior de idade, for daqueles com o gosto limitado aos novos Blockbusters da vida, deixe o filme na prateleira. Tem mais! Recatado, cheio de pudor, não suportando ver gente pelada, nem chegue perto do filme.

Yon Rique

Ficha técnica: Os Sonhadores (The Dreamers) – ING/FRA/ITA/USA – 2003 – Direção: Bernardo Bertolucci, Roteiro: Gilbert Adair – Elenco: Eva Green, Michael Pitt, Louis Garrel, Anna Chancelor, Robin Rennucci – 115 min. – censura nos E.Unidos: NC-17 (Brasil: 18 anos)

Site Oficial: http://foxfilm.terra.com.br/sonhadores

Musica: Penny Lane - Lennon&McCartney - London Starlight Orchestra

 

 
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